domingo, 22 de novembro de 2009

Frutas vermelhas










Existem momentos em que a vontade é de pegar a criatura pelo pescoço e perguntar: Tenho cara de boba? Porque existem pessoas neste mundo que se acham acima do respeito pelas outras. Pensam que tem algo especial porque andam com determinadas pessoas que por sua vez também se acham especiais. Cada vez me decepciono mais com a raça humana, quando trombo com estas coisinhas . Imagina se eu vou copiar alguém em alguma coisa e sair por aí dizendo que estou criando, fazendo coisas lindas da minha cabeça, se na verdade estou bem é roubando trabalho dos outros? Ai! Me dá uma birra. Birra que é sinonimo de antipatia. Eu ganho uma grana prá fazer um trabalho muito exclusivo e este trabalho na verdade é ficar copiando o que as outras pessoas me ensinam com carinho e amizade, e sair por aí falando que eu sou a tal!!???? Me poupe, criança. Deu. Desabafei.



Porque do outro lado também existem pessoas maravilhosas que, de fato, merecem a glória por seu trabalho, trabalhado com carinho, respeito e originalidade. Pessoas que me fazem de novo ter admiração pela raça humana! Como meu irmão Leonardo, que tem na veia a arte do fazer. Ele pode, por exemplo, pegar um monte de garrafas pet, que iriam parar no lixo, e transformar no mais lindo presépio e ficar feliz por gostarmos e nos admirarmos por algo que, para ele, é simples como respirar! Ele pode fazer esculturas em madeira, em argila, em papel marche, em pedra, pode pintar quadros, pode fazer lindas bonecas de pano, ele pode qualquer coisa, porque a arte do fazer corre como sangue em suas veias.



Tomara consiga se estabelecer no mundo das artes, assim como ser feliz, que é o que realmene mais importa nesta vida!

sábado, 7 de novembro de 2009

Saudade meu bem, saudade...




Tanto tempo sem nada a dizer, ou sem vontade de dizer. E tantas coisas aconteceram nestes dois meses longe daqui. Minha reforma segue. A parte de demolir, destruir, empoeirar, detonar, finalmente acabou, tenho uma parte pronta e pintada de branco total. Me sinto no mediterrâneo, à tarde quando o sol bate em minha sala/copa/cozinha. As paredes brancas, ficam mais brancas ainda, o chão de cimento queimado, natural, com pitadas de ladrilhos hidráulicos em dois pontos. Minha cozinha aberta para o mundo, ventilada. Uma sensação de dever cumprido, de bem estar, de ordenação. De que o meu mundo finalmente está chegando perto do meu sonho. Ficou bonito, ficou uma casa cheia de portas e eu posso rodar por toda a casa, num vai-e-vem, sem fim. Não tem mais lugares que não dão em nada! Como? Todos os lugares dão no melhor lugar da casa, o Jardim! Agora com mais vagar vou terminando.


Visitas chegaram para o aniversário de 64 anos de meu marido, um casal de Lima, cujo homem eu não conhecia, mas a mulher, tinham exactos 24 anos que eu não encontrava. Um delicioso reencontro com Maria. Imagina, ficar sem ver uma pessoa tanto tempo e quando reencontrar, a amizade é a mesma, o carinho igual. Foi uma bela semana, onde ficamos em festas mineiras eternas. O Homem, Fernando, uma pessoa doce, carinhosa.


Recebi noticias de meu amigo Afonso, fon-fon, que não vejo oito anos. me mandou um e-mail. Querido, afetuoso. Afonso...meu Amigo querido de grandes viagens a Ouro Preto. De grandes pileques, homéricos no mundo. Todas as cervejas não eram suficientes prá nós, meu amor? Precisávamos mais. Porque o mundo era perigoso e ruim. Ainda é, mas agora não tenho mais fôlego, nem fígado, para tantas.


Vi fotos da casa de minha avó num álbum do orkut e fiquei triste. Como tudo na vida, a casa está morrendo, lentamente. O meu sonho sendo construído e o de meus avós desmoronando.


Especialmente tenho que falar da última sexta-feira, em que reencontrei num espetáculo, meus queridos amigos do Ponto de Partida. Tenho que falar deste momento mágico, três horas de duração, três horas em que meu coração parecia querer sair pela boca, tamanha a emoção provocada por um povo maluco que conta histórias com amor e paixão. E a história, era a minha história, a história do meu povo, de onde viemos, porque viemos, porque somos Mineiros. Guimarães Rosa, Drummond e Adélia Prado, serviram de base para o contar desta história linda. E, que nem quando eu vou numa cachoeira muito bonita, a energia de O Círculo do Ouro, me deixou tremendo. Minhas mãos não paravam. Meu corpo soluçou em muitos momentos. Minha alma ficou em êxtase. O que são aquelas pessoas, Deus meu? De que matéria são feitas? Como tanto amor pode ser colocado, jogado, partilhado? Nestas horas eu acredito no Homem. Nestas horas, minha esperança aumenta. E o orgulho de partilhar o caminho junto, apesar de por breves momentos, é enorme! Obrigada Ponto de Partida, Erika, Dani, Julia, Beth, Regina, Fatinha, Pablo, João e todos os outros. Meu coração é de vocês!



sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Até quando o corpo pede um pouco mais de alma, o tempo não para...


Passa rápido, me lembro exatamente onde estava quando, num dia igual a este, o mundo parou para assistir ao desabamento das torres da grande maçã.
A gente tem necessidade de ficar vendo e revendo as tragédias? Talvez até sem querer, mas a gente fica ali, parado naquela data relembrando aquilo tudo. Sempre.
Junto a esta lembrança tem outra. Estava em Januária e desde este tempo nunca mais voltei lá. Esta é minha verdadeira lembrança. O Velho Chico passando lentamente, os amigos queridos, a cerveja gelada e sol sertanejo. Peixe frito com pirão e coentro.
Mas a foto ao lado é destas bandas de cá.
Das montanhas frias e ferro nas almas.
11 de Setembro e eu aqui. Pensando tempos que não vão voltar, ou lugares prá onde já não tem mais como eu voltar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Onde voce estiver, não se esqueça de mim...


Hoje cinco anos de sua morte. Saudade, saudade e muitas lembranças.
Meu Pai.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Brincando de comidinha


Enquanto termino a nova cozinha, fazendo almoços em cozinhas improvisadas, vou me lembrando da minha relação com esta parte da casa. Durante muito tempo eu só me alimentava, nunca alimentava outros seres. Primeiras lembranças a comida de minha avó, Ana, com cominho, pimenta, temperos vários, com cheiro de carinho. Comida suculenta! Sopa da noite com macarrão goela de pato, ao dente, muita pimenta e hoje saudade.
Minhas panelas de pedra, pesadas, me lembram Dedeca, fazendo arroz integral, sopa de fubá torrado, canjiquinha às terças-feiras, tempero gostoso, moderno para a época, fazia alimentação macrobiótica e todos da família ficavam dizendo que ela estava ficando amarela por isto! Eu achava lindo, tinha que mastigar cada garfada oitocentos e quarenta e tantas vezes para que o organismo aproveitasse bem aquela nutrição. Ainda nesta época me lembro de ficar quietinha, deitada num colchonete, com as cortinas fechadas ( coisa difícil para uma criança), escutando disco de meditação, tentando desbragadamente deixar minha mente se aquietar! Claro que eu abria os olhos de cinco em cinco segundos, só prá ver se ela estava realmente meditando, e puxa!todas as vezes ela estava com os olhos cerrados, voltada prá dentro de sua alma. Me causava admiração! Aquela mulher, madura, decidida e independente.
Minhas farofas sempre estão me fazendo recordar das mãos de minha tia Ciça, única irmã de minha mãe, que se dedicava com absoluta paixão e beleza ao ato de cozinhar. Picava a vagem bem fininha, refogava em azeite com alho e jogava a farinha ali em cima. Ou senão, uma cenoura ralada a grosso modo, quando refogava ficava tudo alaranjado, jogava a farinha de mandioca . Me lembro de suas mãos, com as quais as minhas se parecem um pouco, cortando, organizadamente os legumes, fazendo feijoada baiana com pimentão, cebola, tempero verde. Eu achava estranho e bonito, porque feijoada prá mim era feijão e carnes suculentas. Fazia uma sopa de feijão com a coxinha da azinha de frango, bem temperadinha. E quando de férias em sua casa, em Salvador,sempre acordava primeiro que todo mundo e colhia frutas, fazia sucos, arrumava a mesa do café da manhã com esmero, uma forma de dizer que amava quem ia estar partilhando aquela refeição.
Minha cozinha está quase pronta, de frente para o jardim, e eu me vejo ali, e vejo em mim muito delas, o amor que elas dedicaram ao fazer os alimentos mais saborosos e o coração mais aquecido com os mimos neles contidos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ser feliz, o melhor lugar é ser feliz...


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Parabéns prá voce!


Hoje meu pai faria 79 anos!
Há cinco ele nos deixou. Nesta foto comemoravamos seus 70 anos, com uma festa surpresa que reuniu quase toda a família, na minha casa.
Sinto tanta falta dele. De seu jeito engraçado de ver a vida, sempre com bom humor, sempre com uma piada sem graça na ponta da língua. Do jeito que ele gostava de reunir as pessoas que amava, em festas, jogos de futebol, almoços e jantares, sempre fartos.
Sinto falta de cortar o cabelo dele. Só eu podia! Comprei uma máquina de cortar cabelo e ele aparecia do nada, sem avisar, sempre pedindo um café... Não tem café nesta casa não?? Dizia sempre rindo!
E me salvava quando o carro estragava, quando faltava gasolina no meio do caminho..... Eu ligava e lá vinha ele no seu fusqueta, meio que caindo aos pedaços, com um assobio, afinado, e um sorriso bom...
Parabéns prá você, meu amor, Tomara que aí seja bom, porque aqui tá muito frio neste Julho sem sua presença...
Saravá meu Pai!